Havanna Brasil pede recuperação extrajudicial com dívida de R$ 127 milhões

12/08/2026

Havanna Brasil pede recuperação extrajudicial com dívida de R$ 127 milhões

A operação brasileira da Havanna recorreu à Justiça de São Paulo para renegociar um passivo financeiro de R$ 127 milhões por meio de um pedido de recuperação extrajudicial. A medida busca proteger os ativos da companhia e criar condições para a reestruturação das dívidas.

Segundo a IstoÉ Dinheiro, o processo envolve a operação brasileira da tradicional rede argentina de cafeterias e alfajores e foi apresentado pelo grupo controlador da marca no país. A recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie previamente os termos da reestruturação com seus principais credores antes de submeter o plano à homologação judicial.

Garantias cruzadas pressionaram a estrutura financeira:

A reportagem aponta que a deterioração financeira não estaria relacionada ao desempenho da marca Havanna junto aos consumidores. A operação brasileira, conduzida pela Café Del Plata, mantém trajetória de crescimento e alcançou faturamento de aproximadamente R$ 420 milhões no país.

O problema teria origem em outras empresas pertencentes à holding DGA, entre elas a rede de perfumarias Fragrance, afetada pelo fechamento de pontos comerciais durante a pandemia e posteriormente pelo cenário de juros elevados.

Para sustentar as operações e o passivo dessas empresas, foram utilizadas garantias cruzadas, fazendo com que a operação da Havanna figurasse como avalista e fiadora de dívidas contraídas por empresas coligadas. Com o aumento do custo de capital, a estrutura financeira da holding passou a sofrer pressão sobre a liquidez.

O episódio que levou a empresa à Justiça foi uma ação de cobrança acompanhada de pedido de falência movida pela fornecedora de chocolates Top Cau, referente a uma dívida de aproximadamente R$ 4,1 milhões. Diante disso, a companhia buscou uma tutela de urgência para suspender execuções e proteger o caixa da rede.

Plano prevê desconto de até 95%: 

A proposta apresentada aos credores das classes financeira e operacional prevê condições específicas para a reorganização do passivo.

Entre elas está um deságio de até 95% sobre o valor de face dos créditos abrangidos pelo plano, além de 12 meses de carência para o início dos pagamentos.

O saldo remanescente, equivalente a 5% do passivo renegociado, deverá ser amortizado em um prazo de até 10 anos. O maior credor individual é o fundo de investimento Explorer, com R$ 45,8 milhões a receber, seguido por bancos de atacado e fornecedores de insumos industriais.

Operação da rede de franquias será preservada: 

De acordo com a reportagem, a recuperação extrajudicial está concentrada na holding proprietária do máster franqueamento e em suas obrigações financeiras diretas. As operações dos franqueados não são abrangidas pelo processo.

A Havanna possui atualmente cerca de 250 pontos de venda em shopping centers, aeroportos e galerias comerciais no Brasil. O plano de expansão da marca, que prevê chegar a 700 unidades até o final da década, permanece mantido.

A empresa também obteve tutela provisória para proteger seus ativos por 60 dias. Nesse período, o grupo precisa avançar nas negociações e formalizar a adesão de mais da metade dos credores de cada classe exigida pela legislação para a aprovação do acordo. 

O caso mostra como uma operação empresarial pode enfrentar dificuldades financeiras não necessariamente por problemas em sua atividade principal, mas também pela exposição a dívidas e garantias assumidas dentro de uma estrutura societária mais ampla.

Sua empresa está enfrentando pressão financeira ou possui dívidas que podem comprometer a continuidade da operação? Entre em contato com André Hummel para avaliar as alternativas jurídicas e estratégias de reestruturação disponíveis para o seu negócio.

Email: contato@andrehummel.com.br
Telefone: (41) 98805-8779
Site: https://andrehummel.com.br/

Fonte: IstoÉ Dinheiro – Havanna Brasil pede “recuperação extrajudicial” com dívida R$ 127 mi.