Endividamento e ansiedade financeira atingem trabalhadores brasileiros

18/08/2026

Endividamento e ansiedade financeira atingem trabalhadores brasileiros

O endividamento e a preocupação com as finanças fazem parte da realidade da maioria dos trabalhadores brasileiros. É o que aponta a 5ª edição da pesquisa Raio-X da Saúde Financeira dos Brasileiros, realizada pela fintech Onze em parceria com a Icatu Seguros.

O levantamento ouviu 8.391 pessoas em todo o país entre 26 de maio e 1º de junho e mostra que 95% dos trabalhadores possuem algum tipo de preocupação financeira.

O dinheiro aparece como a principal fonte de preocupação para 42% dos entrevistados, à frente de saúde, família, violência, política e trabalho. Segundo a pesquisa, essa é a principal preocupação dos brasileiros pelo quinto ano consecutivo.

Endividamento atinge 27% dos trabalhadores

De acordo com o levantamento, 27% dos entrevistados afirmam estar endividados ou com o nome sujo, enquanto outros 26% dizem que a renda não é suficiente para cobrir os gastos mensais.

O cartão de crédito é o tipo de dívida mais comum, citado por 60% dos entrevistados. Na sequência aparecem empréstimo pessoal, com 30%, e crédito consignado, com 26%.

Entre os trabalhadores que utilizaram algum tipo de crédito, 45% recorreram ao recurso para cobrir despesas do mês, como alimentação e contas. Outros 23% utilizaram o crédito para lidar com emergências inesperadas.

Pressão financeira também chega ao ambiente de trabalho

O impacto da situação financeira não fica restrito à vida pessoal. Segundo a pesquisa, 45% dos profissionais acreditam que a preocupação financeira afeta sua produtividade, enquanto 79% afirmam perder mais de uma hora de trabalho por semana em razão do estresse financeiro.

A ansiedade também aparece entre os principais efeitos. 65% dos entrevistados relatam ter desenvolvido ansiedade por causa das questões financeiras, enquanto 53% afirmam sofrer com insônia pelo mesmo motivo.

Os dados mostram uma relação direta entre a saúde financeira dos trabalhadores e sua rotina profissional, com reflexos sobre concentração, produtividade e bem-estar.

Maioria não possui reserva de emergência

A pesquisa também revela uma baixa preparação financeira para situações inesperadas.

56% dos trabalhadores não possuem reserva de emergência, enquanto outros 15% também não têm reserva e ainda estão endividados. Apenas 6% afirmam ter mais de seis meses de salário guardados para imprevistos.

O cenário se estende a outras formas de proteção financeira. Segundo o levantamento, 63% dos entrevistados não possuem proteção financeira para situações como morte ou invalidez.

Além disso, 89% nunca buscaram consultoria ou orientação especializada para organizar as finanças ou sair das dívidas.

A pesquisa aponta ainda que 78% dos entrevistados possuem pelo menos um dependente total ou parcial da própria renda, aumentando a importância da estabilidade financeira para as famílias.

Empresas ainda oferecem pouco apoio

Apesar do impacto sobre os trabalhadores, poucas empresas oferecem iniciativas voltadas à saúde financeira.

Segundo o levantamento, apenas 8% das empresas oferecem algum tipo de apoio, programa ou consultoria relacionada à saúde financeira dos funcionários. Outros 66% afirmam que a empresa onde trabalham não oferece nenhum benefício financeiro além de salário ou bônus.

Para Antonio Rocha, CEO e cofundador da Onze, a saúde financeira passou a fazer parte das discussões relacionadas ao cuidado das empresas com seus trabalhadores. Na avaliação do executivo, a pressão causada por dívidas e pela ausência de uma reserva financeira pode afetar foco, bem-estar e produtividade.

O levantamento também mostra que 70% dos entrevistados considerariam trocar de emprego ou permaneceriam mais tempo na mesma empresa caso houvesse algum benefício voltado ao bem-estar financeiro.

Entre os assuntos que os trabalhadores gostariam que fossem mais abordados pelas empresas estão a relação entre finanças e saúde mental, mencionada por 42% dos entrevistados, e orçamento e controle financeiro, citado por 38%.

O cenário mostra que o endividamento deixou de ser uma questão exclusivamente individual e passou a produzir efeitos também dentro das organizações, especialmente sobre produtividade, bem-estar e permanência dos profissionais.

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Fonte: Times Brasil – Pesquisa revela endividamento e ansiedade financeira em 95% dos trabalhadores no Brasil