
O custo médio de uma violação de dados no Brasil atingiu R$ 7,44 milhões em 2026, estabelecendo um novo recorde na série histórica do relatório Cost of a Data Breach, divulgado pela IBM. O valor representa um aumento de 3,5% em relação aos R$ 7,19 milhões registrados em 2025 e evidencia o impacto financeiro crescente dos incidentes de segurança digital sobre as empresas.
O levantamento foi conduzido pelo Ponemon Institute, com patrocínio e análise da IBM, e considera as experiências de 602 organizações que sofreram violações de dados entre março de 2025 e fevereiro de 2026. Desse total, 42 eram brasileiras.
Os resultados mostram que os prejuízos associados a incidentes cibernéticos vão além da interrupção de sistemas. Investigações técnicas, contenção dos ataques, recuperação de operações, exposição de informações e possíveis consequências regulatórias podem ampliar significativamente o custo de uma ocorrência.
Inteligência artificial amplia os desafios da cibersegurança
A inteligência artificial ocupa uma posição cada vez mais relevante no cenário de segurança digital. Ao mesmo tempo que permite aprimorar mecanismos de defesa, a tecnologia também pode ser utilizada por agentes maliciosos para automatizar etapas de ataques, explorar vulnerabilidades em maior escala e acelerar operações criminosas.
Segundo o relatório da IBM, uma em cada quatro ameaças maliciosas é impulsionada por inteligência artificial. No cenário global, ataques gerados por IA apresentam custo médio de aproximadamente R$ 35 milhões por violação, cerca de R$ 6 milhões acima da média dos demais incidentes de segurança, conforme os dados divulgados pela empresa.
O cenário reforça a necessidade de as organizações acompanharem a evolução das ameaças e investirem em mecanismos capazes de identificar comportamentos suspeitos, reduzir o tempo de resposta e limitar os danos provocados por invasões.
A adoção da tecnologia, entretanto, exige planejamento. Ferramentas de inteligência artificial precisam estar acompanhadas de controles de acesso, políticas de uso, governança e processos de monitoramento para que contribuam efetivamente para a proteção das informações corporativas.
Empresas que utilizam IA e automação reduzem custos
Um dos principais resultados do estudo está relacionado à diferença de custos entre organizações que utilizam amplamente inteligência artificial e automação em seus processos de segurança e aquelas que não adotam essas tecnologias.
De acordo com a IBM, empresas brasileiras que utilizam esses recursos de maneira ampla registraram custos médios de violação 30% menores.
Em contrapartida, nas organizações que não utilizam IA e automação na segurança, o custo médio de uma violação chegou a R$ 8,69 milhões, uma diferença superior a R$ 2,6 milhões em relação ao grupo que utiliza essas ferramentas amplamente.
Apesar das vantagens identificadas, apenas 33% das empresas brasileiras afirmam planejar o aumento de investimentos em ferramentas de segurança e governança de inteligência artificial.
Os dados indicam uma oportunidade para as organizações revisarem suas estratégias de proteção digital. A incorporação de tecnologia pode contribuir para acelerar a detecção de ameaças e a resposta a incidentes, mas sua eficácia depende da integração com processos, equipes qualificadas e políticas de segurança consistentes.
Saúde, tecnologia e serviços concentram os maiores custos
Os impactos financeiros das violações variam conforme o setor de atividade e a natureza das informações envolvidas. No Brasil, as áreas que lidam com dados altamente sensíveis aparecem entre as que apresentam os maiores custos médios por incidente.
Segundo o relatório da IBM, os setores com os maiores valores foram:
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Saúde: R$ 12,55 milhões por violação.
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Tecnologia: R$ 8,96 milhões por violação.
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Serviços: R$ 8,63 milhões por violação.
A posição do setor de saúde evidencia a relevância da proteção de informações pessoais e médicas. Dados dessa natureza podem ser utilizados em tentativas de extorsão e representam riscos importantes para pacientes e instituições.
No setor de tecnologia, a complexidade dos ambientes digitais e a quantidade de sistemas e integrações também tornam a segurança um componente fundamental da continuidade operacional. Já as empresas de serviços podem estar expostas a riscos relacionados ao grande volume de informações de clientes e parceiros.
Para organizações desses segmentos, a prevenção precisa considerar tanto os sistemas internos quanto os fornecedores, parceiros e demais componentes conectados à operação.
Phishing e fornecedores estão entre os principais pontos de entrada
O levantamento também identificou os vetores mais comuns para o início das violações de dados no Brasil. Phishing, incluindo ataques por voz e SMS, e comprometimento da cadeia de suprimentos responderam, cada um, por 16% dos incidentes analisados.
O phishing envolve estratégias de manipulação para levar pessoas a revelar informações, clicar em links maliciosos ou executar ações que permitam o acesso indevido a sistemas. Os ataques podem utilizar mensagens, ligações telefônicas e outros canais de comunicação para se passar por fontes confiáveis.
Nos incidentes iniciados por phishing, o custo médio chegou a R$ 7,93 milhões. Já as violações relacionadas ao comprometimento da cadeia de suprimentos apresentaram custo médio de R$ 7,32 milhões.
Nesse segundo caso, criminosos exploram vulnerabilidades de fornecedores ou parceiros confiáveis para alcançar os sistemas e dados de outras organizações. O risco demonstra que a segurança de uma empresa também pode depender dos controles adotados por terceiros com os quais mantém relações comerciais.
A prevenção exige, portanto, uma combinação de conscientização dos colaboradores, verificação de acessos, avaliação de fornecedores e monitoramento contínuo dos ambientes digitais.
Shadow IT aumenta os custos das violações
Outro fator destacado pelo relatório é a chamada shadow IT, expressão utilizada para descrever o uso de aplicações, ferramentas e sistemas de tecnologia sem o conhecimento ou a autorização da organização responsável.
A prática pode ocorrer quando colaboradores utilizam plataformas externas para compartilhar arquivos, automatizar tarefas ou processar informações corporativas sem que a equipe de tecnologia tenha visibilidade sobre esses recursos.
Segundo a IBM, a falta de visibilidade sobre aplicações não autorizadas acrescentou, em média, R$ 720,3 mil ao custo de uma violação de dados no Brasil.
A complexidade dos ambientes de segurança também contribuiu para o aumento dos prejuízos. A coexistência de múltiplas ferramentas e processos adicionou, em média, R$ 645,2 mil ao custo de cada incidente.
Esses resultados reforçam a importância de manter inventários atualizados de sistemas e aplicações, estabelecer políticas claras de uso de tecnologia e reduzir a fragmentação dos mecanismos de proteção.
Medidas de segurança que ajudam a reduzir os prejuízos
Além de identificar fatores que ampliam os custos, o relatório aponta medidas associadas à redução dos impactos financeiros das violações de dados no Brasil.
Entre as práticas destacadas estão:
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Testes de segurança ofensivos: simulações de ataques reais para identificar vulnerabilidades antes que sejam exploradas, associados a uma economia média de R$ 579.422 por incidente.
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Criptografia: proteção de informações sensíveis, que proporcionou uma economia média de R$ 478.111 por violação.
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Gestão de credenciais: fortalecimento dos controles de acesso aos sistemas, associado a uma economia média de R$ 454.700 por incidente.
Essas medidas atuam em diferentes etapas da proteção digital. Enquanto os testes ajudam a identificar falhas, a criptografia reduz a exposição de informações e a gestão de credenciais contribui para limitar acessos indevidos.
A escolha das soluções deve considerar as características da operação, os dados tratados, os riscos identificados e a capacidade de resposta da organização.
Ransomware e riscos associados à inteligência artificial
O cenário internacional apresentado pela IBM também revela tendências relevantes para a gestão de riscos corporativos.
Segundo o relatório, os incidentes de ransomware aumentaram 5% em relação ao ano anterior, alcançando 39%. Nesse tipo de ataque, criminosos podem bloquear sistemas, comprometer informações ou utilizar dados roubados para pressionar as vítimas.
O estudo também aponta que, em 41% dos casos mencionados, os invasores exploraram a reputação da marca como instrumento de pressão. Isso demonstra que os impactos de um incidente podem ultrapassar os custos técnicos e alcançar a confiança de clientes, parceiros e do mercado.
Entre as violações envolvendo modelos ou aplicações próprias de inteligência artificial, o comprometimento de APIs e plug-ins e as configurações incorretas de ambientes em nuvem responderam, cada um, por 27% dos casos identificados globalmente nesse recorte.
O relatório ainda informa que 62% dos ataques impulsionados por IA tiveram como alvo setores de infraestrutura crítica, como serviços financeiros e energia.
Os dados reforçam que a ampliação do uso de inteligência artificial precisa ser acompanhada por controles sobre os sistemas que conectam, hospedam e disponibilizam essas aplicações.
Cibersegurança como parte da gestão empresarial
O recorde registrado no Brasil demonstra que incidentes de segurança digital podem representar riscos financeiros significativos para as organizações. A proteção de dados precisa ser considerada parte da gestão empresarial, com responsabilidades definidas, processos de prevenção e capacidade de resposta.
Além dos investimentos em ferramentas, as empresas precisam avaliar seus controles de acesso, políticas de utilização de aplicações, práticas de proteção de informações e procedimentos para lidar com incidentes.
A combinação entre tecnologia, governança e preparação das equipes pode contribuir para reduzir vulnerabilidades e limitar os prejuízos quando uma violação acontece.
Em um ambiente de ameaças cada vez mais automatizadas, antecipar riscos e agir rapidamente torna-se fundamental para preservar a continuidade das operações, proteger informações e reduzir impactos sobre a reputação e os resultados financeiros.
Sua empresa precisa avaliar riscos, fortalecer seus controles ou compreender os impactos de um incidente de segurança sobre suas operações? Entre em contato conosco para conversar sobre os desafios do seu negócio.
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