2027 será um ano de sobrevivência para empresas, avalia Thiago Nigro

30/10/2026

2027 será um ano de sobrevivência para empresas, avalia Thiago Nigro

Juros elevados, endividamento, incertezas tributárias e pressão sobre as margens devem exigir mais eficiência e disciplina financeira dos negócios brasileiros.

O ano de 2027 deve impor desafios importantes às empresas brasileiras. A combinação de juros elevados, endividamento, custos crescentes e falta de previsibilidade econômica tende a pressionar os resultados dos negócios, especialmente daqueles que já enfrentam dificuldades financeiras.

A avaliação é de Thiago Nigro, empresário e criador de conteúdo sobre finanças, que participou da ABF Con, convenção anual promovida pela Associação Brasileira de Franchising, realizada em 29 de outubro, na ilha de Comandatuba, na Bahia.

Ao comentar o cenário econômico para o próximo ano, Nigro resumiu sua perspectiva: “2027 vai ser um ano de sobrevivência. Só que, junto com a sobrevivência, tem sempre um outro lado também, que é o ano da oportunidade, porque é o ano em que o dinheiro muda de mão”.

Na avaliação do empresário, o ambiente exigirá maior capacidade de adaptação, controle das despesas e atenção à relação com os clientes. Empresas que conseguirem operar com mais eficiência e responder rapidamente às mudanças do mercado poderão encontrar oportunidades mesmo em um cenário econômico adverso.

Juros elevados e endividamento pressionam as empresas

Um dos principais pontos de preocupação para 2027 é a combinação entre crédito caro e empresas já comprometidas financeiramente. Quando uma parcela significativa da receita é direcionada ao pagamento de dívidas e juros, o espaço para investimentos, contratações e expansão diminui.

O problema também afeta a capacidade de recuperação dos negócios. Com custos crescentes e margens pressionadas, muitas empresas podem encontrar dificuldades para aumentar seus resultados e reduzir o nível de endividamento.

“Quem está endividado provavelmente vai ficar mais endividado. Os negócios não estão com um cenário tão positivo a ponto de aumentarem o seu resultado”, afirmou Nigro.

A conjuntura também pode repercutir sobre o consumo. Com o crédito mais caro e o orçamento das famílias pressionado, os consumidores tendem a ter menos espaço para ampliar seus gastos, o que pode limitar o crescimento das vendas e dificultar a geração de receita pelas empresas.

Para os pequenos e médios negócios, esse contexto reforça a importância de acompanhar de perto o fluxo de caixa, revisar despesas e avaliar a sustentabilidade das obrigações financeiras assumidas.

Falta de previsibilidade dificulta o planejamento

Outro desafio apontado por Nigro é a dificuldade de projetar o cenário econômico e tributário do próximo ano. A trajetória dos juros, as decisões fiscais, o câmbio e a implementação da reforma tributária são fatores que podem influenciar diretamente os custos e os resultados das empresas.

A ausência de parâmetros claros dificulta a elaboração de orçamentos, a definição de metas e a tomada de decisões de investimento. Mesmo empresas com operações estruturadas precisam trabalhar com diferentes cenários quando as condições econômicas podem mudar rapidamente.

“É um absurdo a gente chegar próximo do final do ano sem saber como projetar um orçamento relevante para o ano que vem”, declarou o empresário.

A falta de previsibilidade também pode afetar a confiança dos investidores. Segundo Nigro, a estabilidade das regras econômicas e institucionais é importante para que empresas e investidores consigam tomar decisões de longo prazo com maior segurança.

Nesse ambiente, o planejamento financeiro precisa considerar não apenas as projeções mais otimistas, mas também cenários de maior pressão sobre receitas, despesas e disponibilidade de crédito.

Reforma tributária adiciona desafios à gestão empresarial

A transição para o novo sistema tributário também exige atenção das empresas. A partir de 2027, a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, começa a substituir PIS e Cofins. O IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), por sua vez, será implantado gradualmente ao longo do período de transição.

A adaptação envolve mudanças em sistemas de faturamento, emissão de documentos fiscais, formação de preços, contratos e controles financeiros. As empresas precisarão compreender os impactos do novo modelo sobre suas operações e revisar seus processos internos.

Um dos pontos destacados por Nigro é o mecanismo de split payment, que prevê a separação do valor correspondente aos tributos no momento da liquidação financeira da operação.

A mudança pode alterar a dinâmica de entrada de recursos no caixa das empresas, exigindo atenção especial à gestão do capital de giro. Para negócios menores, que frequentemente dependem do recebimento das vendas para manter despesas operacionais e compromissos de curto prazo, essa adaptação pode representar um desafio adicional.

“Pequenos empreendedores seriam os mais afetados pelo split payment”, afirmou.

Diante das mudanças, acompanhar o cronograma de implementação da reforma e preparar os sistemas e controles internos será parte importante do planejamento empresarial para 2027.

Inteligência artificial pode ampliar a eficiência operacional

Apesar das dificuldades previstas, Nigro identifica oportunidades no uso da inteligência artificial. Para o empresário, ferramentas de IA podem ajudar negócios a executar tarefas administrativas, organizar informações, atender clientes e automatizar processos, reduzindo a necessidade de ampliar estruturas e custos na mesma proporção.

A tecnologia pode ser particularmente relevante para pequenas empresas, que muitas vezes não dispõem dos mesmos recursos humanos e financeiros de organizações maiores.

A proposta é utilizar a inteligência artificial para aumentar a produtividade e liberar tempo das equipes para atividades que exigem análise, relacionamento e tomada de decisão.

Nigro defende que os empreendedores aprendam a utilizar essas ferramentas desde o início da operação. Segundo ele, dependendo do modelo de negócio, uma assistente de inteligência artificial pode executar tarefas que anteriormente exigiriam a contratação de um profissional.

A adoção, entretanto, precisa estar associada a objetivos concretos. Identificar processos que podem ser automatizados, acompanhar os ganhos de produtividade e preservar a qualidade dos produtos e serviços são pontos fundamentais para que a tecnologia gere resultados efetivos.

Cinco recomendações para quem deseja empreender

Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, Nigro acredita que existem oportunidades para novos negócios no Brasil. Durante sua participação na ABF Con, o empresário compartilhou recomendações para quem pretende empreender.

Entre os principais pontos estão:

  1. Identificar as próprias habilidades: reconhecer conhecimentos e competências que possam ser transformados em uma atividade empresarial.

  2. Estudar modelos de negócio existentes: observar empresas que já funcionam e identificar possibilidades de aprimoramento, sem depender necessariamente de uma ideia inédita.

  3. Escolher segmentos com margens adequadas: avaliar a rentabilidade do setor e a capacidade de absorver custos, despesas e eventuais oscilações do mercado.

  4. Aprender a utilizar inteligência artificial: incorporar ferramentas tecnológicas para automatizar tarefas, ganhar produtividade e otimizar recursos.

  5. Construir uma rede de relacionamentos: aproximar-se de pessoas que possam compartilhar experiências, conhecimento e apoio ao longo da trajetória empresarial.

Além dessas recomendações, o empresário destaca a importância da proximidade com os clientes. Em um cenário no qual conquistar novos consumidores pode se tornar mais difícil, compreender suas necessidades e manter um relacionamento consistente pode contribuir para a continuidade dos negócios.

Gestão e disciplina financeira serão fundamentais em 2027

A perspectiva apresentada por Thiago Nigro reforça a necessidade de uma gestão empresarial mais atenta às condições financeiras e operacionais dos negócios.

Juros elevados, endividamento e mudanças tributárias podem reduzir a margem de manobra das empresas. Por isso, acompanhar indicadores, revisar custos, preservar liquidez e avaliar a capacidade de pagamento das obrigações financeiras são medidas relevantes para enfrentar períodos de maior incerteza.

A tecnologia também pode contribuir para esse processo, desde que sua utilização esteja alinhada à realidade e às necessidades de cada operação.

Embora o cenário projetado para 2027 seja desafiador, a capacidade de adaptação poderá abrir espaço para empresas que consigam rever processos, fortalecer sua gestão e manter proximidade com o mercado consumidor.

Em um ambiente de crédito caro e margens pressionadas, a sustentabilidade dos negócios dependerá cada vez mais de decisões fundamentadas, planejamento e disciplina na administração dos recursos.


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Fontes:

  • EXAME. “‘2027 vai ser um ano de sobrevivência’, diz Thiago Nigro sobre as empresas no Brasil”. Publicado em 29 de outubro de 2026.

  • Correio Braziliense. “Thiago Nigro: 2027 será ano de sobrevivência e oportunidades para empresários”. Publicado em 29 de outubro de 2026.

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